Edleuza


Amor Pra Recomeçar

Frejat

(Composição: Frejat/Mauricio Barros/Mauro Sta. Cecília)

Eu te desejo
Não parar tão cedo
Pois toda idade tem
Prazer e medo...


E com os que erram
Feio e bastante
Que você consiga
Ser tolerante...


Quando você ficar triste
Que seja por um dia
E não o ano inteiro


E que você descubra
Que rir é bom
Mas que rir de tudo
É desespero...


Desejo!
Que você tenha a quem amar
E quando estiver bem cansado
Ainda, exista amor
Prá recomeçar
Prá recomeçar...


Eu te desejo muitos amigos
Mas que em um
Você possa confiar


E que tenha até
Inimigos
Prá você não deixar
De duvidar...


Quando você ficar triste
Que seja por um dia
E não o ano inteiro



E que você descubra
Que rir é bom
Mas que rir de tudo
É desespero...


Desejo!
Que você tenha a quem amar
E quando estiver bem cansado
Ainda, exista amor
Prá recomeçar
Prá recomeçar...


Eu desejo!
Que você ganhe dinheiro
Pois é preciso
Viver também



E que você diga a ele
Pelo menos uma vez
Quem é mesmo
O dono de quem...


Desejo!
Que você tenha a quem amar
E quando estiver bem cansado
Ainda, exista amor
Prá recomeçar...


Eu desejo!
Que você tenha a quem amar
E quando estiver bem cansado
Ainda, exista amor
Prá recomeçar
Prá recomeçar
Prá recomeçar...

(Obrigada, Camila, veio num momento muito oportuno!)

Edleuza


Perdi o sono. Aliás, já faz uns dias que estou com essa mania de não conseguir dormir à noite. Caramba! Daqui a pouco tenho que ir pro trabalho... ainda bem que é final de ano e são apenas reuniões.

Em momentos assim, fico vendo bobagens, legais, engraçadas.
Aí vai uma (para medrosos):

Edleuza
Recebi por e-mail e achei muuuiiito lindinho.

Segunda-feira


Terça


Quarta


Quinta


Sexta e Sábado!!


Domingo à tarde...


Domingo à noite

Calma, calma... as férias já estão aí!!!
Edleuza



Sempre achei a vida uma contradição, e a cada dia que passa, mais ainda.

Não aceitamos a morte, mas nascemos sabendo que um dia ela vai chegar.
Nada é perfeito, mas o anseio pela perfeição, em todos os aspectos de nossa existência, está sempre ali...
Quando a mente e o coração começam a perceber o que é essencial, o corpo já está partindo e não acompanha mais a vitalidade e os desejos da alma.

Parece que resta apenas uma escolha: brigar com a realidade dos fatos e passar o tempo amargando isso ou aquilo, ou aceitar que a vida é assim mesmo, dar risada da cara feia e assustadora que tudo isso pode ter e ser feliz.

(*passeio com o pessoal da escola: foi bom D+!)


Edleuza


"E o mundo continua a girar..."

Lembro que um amigo meu, há vários anos, costumava dizer ou escrever essa frase. Não sei de que forma ele a entendia na época, só sei que hoje, diferentemente do passado, começo a perceber o que talvez ele já tivesse entendido...

Não interessa em que momento emocional você esteja, se ferido ou se no alge de sua alegria, o mundo continua a girar: as coisas continuam acontecendo, as pessoas mudando, uns nascendo, outros envelhecendo e outros morrendo.

Não interessa se você aprendeu as lições que tinha que aprender na vida, se cedo ou se tarde, o mundo continua a girar.

Não interessa se neste ano que passou você venceu ou perdeu, se sorriu ou se chorou, o mundo continua a girar.

E por aí vai...

Acho que essa frase representa mesmo é o movimento da vida, que continuará seu percurso, independente se você existe ou não.




Edleuza

Fim de turno, manhã sem sol
O que estava preso talvez devesse ficar
assim, sem voz, sem direito,
sem nenhum
efeito
Emoções que se atropelam, marcas na alma,
e mais uma vez
continuo aprendendo palavras...

(Gostaria que não tivesse sido desse jeito...)
Edleuza
"Levantar a lebre" é uma expressão popular bastante conhecida e significa "suscitar uma questão; trazer à luz o que estava escondido". Na verdade, significa que alguém torna público o que estava entalado na garganta de todo mundo, mas que ninguém tinha coragem de dizer.

A princípio pode até parecer um ato "heroico", mas, na prática, a pessoa que "levanta a lebre" geralmente "se ferra"!! E se for movida por sentimentos fortes ou mergulhada num "momento desabafo" então... Não passa muito tempo e você descobre que não se trata de coragem coisíssima nenhuma, mas de pura burrice mesmo e falta de diplomacia. A indignação que seria de todos chega ao interlocutor como se fosse só sua, e todo o ressentimento gerado pela situação volta e recai apenas sobre quem se pronunciou.

No final da história, mesmo que tenha toda a razão do mundo, a partir do momento que "levantar a lebre", o errado passa a ser você.




Edleuza
Edleuza



Discriminar: distinguir, discernir, diferenciar,
segregar, separar.

1. É doloroso ser vítima de discriminação.
(separação preconceituosa)
2. É preciso ter sabedoria para discriminar o certo do errado.
(discernir)
3. Segue a lista dos produtos abaixo discriminados.
(relacionados, separados)



Tem "alguém" infringindo a lei... e vai precisar de um advogado para descriminá-lo.
(
Descriminar: absolver de um crime, tirar a culpa, inocentar)


Edleuza

Diabetes..........

Abismado.......
Pressupor........

Missão............
Padrão............

Estouro..........

Democracia....
Barracão.........

Homossexual..

Ministério.......
Edifício...........
Detergente......
Armarinho......
Eficiência.......

Conversão......
Barganhar......
Fluxograma....
Halogênio......
Expedidor......
Luz solar........
Cleptomaníaco
Tripulante.......
Aspirado ........
Cerveja...........
Regime militar
Bimestre.........
Caçador..........

Volátil............
Assaltante.......
Determine.......
Pornográfico...
Coordenada....
Presidiário......
Ratificar..........

Suburbanos.....

Violentamente

Dançarinas do diabo
Aquele que caiu num abismo
Colocar preço em algo
Missa prolongada
Padre muito alto
Touro que virou boi
Sistema de governo do inferno
Proíbe a entrada de cachorros
Sabão para lavar as partes íntimas
Pequeno aparelho de som
Antônimo de “é fácil”
Ato de prender humanos
Vento que vem do mar
Estudo das propriedades do “F”
Papo prolongado
Receber de herança um bar
Direção em que cresce o capim
Cumprimento a um gênio
Antigo mendigo
Sapato com luz na sola
Fã de Eric Clapton
Especialista em salto triplo
Carta de baralho maluca
O sonho de toda revista
Dieta feita no exército
Mestre em duas artes marciais
Quem procura ter dor
Avisa ao tio que você está indo lá
Um “A” que salta
Prender a namorada do Mickey
O mesmo que pôr no desenho
Que não tem cor
Que é preso todos os dias
Tornar-se um rato
Habitantes de túneis do metrô

Ver algo bem devagar

Edleuza
Na última postagem sobre acentuação gráfica, falamos sobre as Paroxítonas.

Veja agora a situação a seguir e a palavra que destacamos:



Na palavra gaúcho a sílaba mais forte, obviamente, é a penúltima, portanto, é uma paroxítona. Mas.... a regra não diz que todas as paroxítonas são acentuadas, menos as que terminam em -a, -e, -o?


Essa é uma das palavras em que ocorre o que se chama de hiato, ou seja, quando a segunda vogal forma uma sílaba sozinha, acompanhada ou não de -s. Eis alguns exemplos:

1. Sa - a - ra
2. fa -
ís - ca
3. co -
e - so
4. fi -
as - co
5. ca -
o - lho
6. mai -
o


Para os casos de hiato, a convenção é a seguinte: devem ser acentuados todos os hiatos em -i ou -u, seguidos ou não de -s, independentemente de que tipo de palavra seja. Por isso, a palavra gaúcho, mesmo sendo paroxítona terminada em -o, tem acento. Outros exemplos de hiatos em -u:

ba - ú
sa -
ú - va
sa -
ú - de
ba - la -
ús - tre

Até aqui tudo bem, é simples e fácil. Com o Novo Acordo Ortográfico, no entanto, ficou determinado que, mesmo se uma palavra tiver um hiato em -u(s), mas se vier após ditonto descrescente, não deve ser acentuado - ah, esse (des)acordo!!!


Ainda bem que existem pouquíssimas ocorrências desse tipo, e a palavra mais conhecida desse caso que agora não leva mais acento é feiura. Já a palavra maiúscula, embora pareça pertencer à mesma situação, continua sendo acentuada pois, além de ser hiato, também é proparoxítona (mai-ús-cu-la), e todas as proparoxítonas são acentuadas.


Com relação aos hiatos em -i(s), eis alguns casos:

sa - í - da

fa - ís - ca

e - go - ís - ta

u - ís - que

a - ça - í

ve - í - cu - lo




Há uma exceção nesse tipo de hiato, que desde o tempo do ensino fundamental me incomodava (aliás, o que é exceção em língua e tudo o que é compulsório, e ainda mais sem uma explicação razoável, tende a gerar aversão). A exceção é a seguinte:


"Acentuam-se todos os hiatos em -i(s), menos os que vêm antes de -nh"


Qual a razão disso? Qual o critério usado para determinar essa exceção?

Não ficaria mais fácil se todo hiato em -i(s) fosse acentuado???


Não dá pra negar... a língua não é lógica, mas analógica...


Depois de muito pesquisar, ouvi uma explicação que me pareceu coerente: a exceção é devido ao fato de que na língua portuguesa há uma tendência, nesses casos, da sílaba forte recair naturalmente sobre o hiato. Assim, as palavras rainha, ladainha, bainha, tainha... não precisam de acento gráfico para indicar a sílaba tônica (se esta foi a motivação original, não sei, mas me convenceu).




Edleuza
Edleuza

Para muitos que têm carro, ou para quem pretende ter um, flex é um item um tanto quanto atrativo, já que significa opção, liberdade de escolha, mesmo que mínima.

Fico encantada com a criatividade desses profissionais que trabalham com a linguagem, fazem associações, analogias, trabalham com o intertexto o tempo todo, setem-se livres para criar - "cristão tipo flex"... essa é demais!

Voltando à liberdade, esse é um dos maiores bens que uma pessoa pode conquistar, especialmente a interior. Fazer o que se quer, como e quando, por sua conta e risco, não há nada que pague essa sensação de bem estar (sem prejudicar ninguém, é claro). E quando se fala em "preceitos religiosos", a sensação de livrar-se do peso de julgamentos, superficialidades e rótulos é melhor ainda.

Nessa vida, melhor mesmo que ser cristão ou qualquer outra coisa tipo flex é simplesmente não ser, ou ser tudo, ou não ser nada, mas por sua própria intuição, razão, sensibilidade, desde que seja por você mesmo.




Edleuza


Falando em acentuação gráfica... Chegou a vez das paroxítonas, aquelas palavras cuja penúltima sílaba é a mais forte (a segunda sílaba, da direita para a esquerda).

Nossa língua é tipicamente paroxítona, ou seja, a maioria das palavras possui a sílaba mais forte justamente nessa posição. Somente na charge ao lado, veja quantas aparecem: presidente, Gelio, Vargas, disse, petróleo, nosso, lembra, disso etc.


Faça o teste: observe o nome dos objetos que estão ao seu redor, no quarto ou na sala, por exemplo (mesa, cadeira, toalha, teto, parede, arrio, estante, piso, janela, porta, computador, televisão...). A maioria é paroxítona.


É por conta dessa tendência fônica e desse repertório todo que vamos internalizando naturalmente no decorrer da vida, que quando nos deparamos com uma palavra desconhecida temos a tendência de pronunciá-la como se fosse uma paroxítona.


Quando devemos acentuá-las?

Todas as paroxítonas devem ser acentuadas, menos as que terminam em -a, -e, -o, -em, -ens


Com o novo Acordo Ortográfico, também não são acentuadas as paroxítonas que possuem os ditongos abertos -éi, -ói (sei que dá uma sensaçãozinha desconfortável, mas as palavras ideia e heroico não têm mais acento mesmo).


Existem alguns fatos que a maioria das gramáticas apenas prescrevem (ou expõem como exceções), mas não explicam o porquê:

“Atenção! A palavra fen deve ser acentuada, mas hifens não”.

Por quê? É por causa da regrinha: todas as paroxítonas são acentuadas, menos as que terminam em -a, -e, -o, -em, -ens, ou que contenham os ditongos abertos -éi e -ói.

- fen: paroxítona terminada em –n (é acentuada)

- hifens: paroxítona terminada em –ens (não leva acento)


E no caso de goa, rie e tio, por exemplo, por que são acentuadas se terminam em -a, -e, -o???

Na verdade, não terminam em -a, -e, -o, terminam em ditongo:

- goa (oa)

- rie (ie)

- tio (io)


Quanto a palavras como í e órgão, qual das sílabas é acentuada?

O til (~) não é acento, é apenas um sinal de nasalização. Assim, o acento é o agudo (´) e está no lugar certinho:

- ímã (paroxítona acentuada porque termina em -ã,

e não -a)

- órgão (paroxítona acentuada porque termina

em -ão, ditongo nasal)




Edleuza



De manhã, a mãe foi bater na porta do quarto do filho:
- Filhinho, acorda!


- Hoje não vou à escola! E não vou por três motivos: estou morto de sono, detesto aquele colégio e não aguento mais os professores!


- Mas você tem que ir, filho! E por três motivos: você tem um dever a cumprir, já tem 48 anos e é o diretor do colégio.

(Enviado por e-mail, pela Solange)

Edleuza

Esse texto é antigo, mas é sempre bom reler...

Quem é o seu amante?

(Jorge Bucay - Psicólogo)

"Muitas pessoas têm um amante e outras gostariam de ter um.
Há também as que não têm, e as que tinham e perderam".
Geralmente, são essas últimas que vêm ao meu consultório para me contar que estão tristes ou que apresentam sintomas típicos de insônia, apatia, pessimismo, crises de choro, dores etc.
Elas me contam que suas vidas transcorrem de forma monótona e sem perspectivas, que trabalham apenas para sobreviver e que não sabem como ocupar seu tempo livre.
Enfim, são várias as maneiras que elas encontram para dizer que estão simplesmente perdendo a esperança.
Antes de me contarem tudo isto, elas já haviam visitado outros consultórios, onde receberam as condolências de um diagnóstico firme: "Depressão", além da inevitável receita do antidepressivo do momento.
Assim, após escutá-las atentamente, eu lhes digo que não precisam de nenhum antidepressivo; digo-lhes que precisam de um AMANTE!!!
É impressionante ver a expressão dos olhos delas ao receberem meu conselho.
Há as que pensam: "Como é possível que um profissional se atreva a sugerir uma coisa dessas"? Há também as que, chocadas e escandalizadas, se despedem e não voltam nunca mais. Àquelas, porém, que decidem ficar e não fogem horrorizadas, eu explico o seguinte:


"AMANTE" é aquilo que nos "apaixona", é o que toma conta do nosso pensamento antes de pegarmos no sono, é também aquilo que, às vezes, nos impede de dormir. O nosso "AMANTE " é aquilo que nos mantém distraídos em relação ao que acontece à nossa volta. É o que nos mostra o sentido e a motivação da vida.
Às vezes encontramos o nosso "AMANTE" em nosso parceiro, outras, em alguém que não é nosso parceiro, mas que nos desperta as maiores paixões e sensações incríveis.
Também podemos encontrá-lo na pesquisa científica ou na literatura, na música, na política, no esporte, no trabalho, na necessidade de transcender espiritualmente, na boa mesa, no estudo ou no prazer obsessivo do passatempo predileto.... Enfim, é "alguém!" ou "algo" que nos faz "namorar a vida" e nos afasta do triste destino de "ir levando"!..
E o que é "ir levando"?

Ir levando é ter medo de viver.
É o vigiar a forma como os outros vivem, é o se deixar dominar pela pressão, perambular por consultórios médicos, tomar remédios multicoloridos, afastar-se do que é gratificante, observar decepcionado cada ruga nova que o espelho mostra, é se aborrecer com o calor ou com o frio, com a umidade, com o sol ou com a chuva.
Ir levando é adiar a possibilidade de desfrutar o hoje, fingindo se contentar com a incerta e frágil ilusão, de que talvez possamos realizar algo amanhã.


Por favor, não se contente com "ir levando"; procure um amante, seja também um amante e um protagonista ... DA SUA VIDA!
Acredite: O trágico não é morrer, afinal, a morte tem boa memória, e nunca se esqueceu de ninguém. O trágico é desistir de viver...


Por isso, e sem mais delongas, procure um amante.

Edleuza
Edleuza

Parabéns aos nossos heróis!

Quando uma palavra tem a última sílaba mais forte é denominada oxítona: papel, alguém, parabéns, heróis,... e tantas outras.


Nem todas, porém, são acentuadas. A regrinha é: só receberão acento gráfico (´) (^) se terminarem em a, e, o, em, ens e ditongos abertos (éi, ói, éu), seguidos ou não de –s:


a - aliás, vata

e - através, português, vo

o - came, após

em -alguém, porém

ens - reféns, parabéns

éi - papéis, aluguéis

ói - constrói, girassóis, heróis

éu - chapéu, mausoléus



Edleuza

O acento diferencial é usado para diferenciar duas palavras homógrafas, quer dizer, que possuem a mesma grafia. Conforme o Novo Acordo Ortográfico, esse acento ocorre em apenas quatro casos: dois obrigatórios e dois facultativos.


Obrigatórios:

pode (verbo no Presente) - Você não pode fazer isso!
pôde (verbo no Passado/Pretérito Perfeito) - Ele não pôde vir à aula ontem.

por (preposição) - Passe por aqui, por favor.
pôr (verbo) - Você pode pôr sua bolsa aqui.


Facultativos (normalmente são usados para garantir a clareza do texto):

forma (substantivo) - Não gostei da forma como você falou.
fôrma (utensílio de cozinha) - Tire o bolo da fôrma, com cuidado. Preste atenção à forma da fôrma do bolo.

demos (Presente ou Passado/Pretérito Perfeito) - Nós já demos nossa contribuição à comunidade.

dêmos (verbo no Futuro do Subjuntivo) - Que nós dêmos todo o nosso empenho nesse projeto. (Que nós possamos dar todo o nosso empenho...)



Edleuza
(A pedido de um aluno, trouxe esta postagem "mais pra perto"... Pronto, Vinícius, agora está mais fácil)

Já falamos sobre o que é a VÍRGULA e a importância de sua utilização na construção do sentido textual. Ressaltamos, sobretudo, a necessidade de conhecer quais são as convenções de uso, uma vez que se trata de uma questão sintática, e não apenas de "uma pausa para respirar".


Eis mais um dos casos em que o emprego da vírgula é sintaticamente obrigatório:

USA-SE A VÍRGULA ANTES DE CONJUNÇÕES ADVERSATIVAS
(MAS, PORÉM, TODAVIA, CONTUDO, NO ENTANTO, ENTRETANTO)


De uma maneira bem simples, conjunções são aquelas palavrinhas que servem para fazer a conexão entre orações ou termos de uma mesma oração. É como se fossem as juntas ou as articulações do corpo linguístico, dando a flexibilidade necessária à construção do sentido que desejamos dar ao texto. As conjunções adversativas, por sua vez, servem para expressar o sentido de oposição, de contrariedade ou de adversidade entre um argumento e outro.


A respeito desse assunto, existem algumas particularidades que considero curiosas:

1. Independentemente da extensão ou do peso do argumento exposto numa frase, uma única conjunção adversativa tem o poder de desmerecer, anular, levar a nocaute o que fora dito anteriormente. E não é só isso, além de pôr por terra a argumentação anterior, a tendência é que nossa mente fixe a última fala como sendo a mais contundente ou importante. Assim, semelhante a "quem ri por último, ri melhor", as conjunções adversativas fazem com que o argumento exposto por último pareça mais forte que o anterior. Observe:

- "Fez o relatório, anexou os documentos, preparou os slides, mas esqueceu tudo em casa!"
- "A prova estava realmente difícil, a concorrência muito alta, porém conseguiu ser aprovada."
- "Acordava de madrugada, trabalhava feito um louco, todavia o esforço não foi suficiente."
- "É jovem, bonito, saudável, tem oportunidades
, contudo não se interessa pelos estudos."
- "Idosa, debilitada, com dificuldade de locomoção, no entanto seu otimismo inspira a todos."
- "Sozinho na cidade grande, sem apoio, entretanto conseguiu estudar e dar a volta por cima."

2. As adversativas, ou melhor, o mas especificamente, é uma das conjunções mais populares na linguagem do dia-a-dia (aliás, não raras vezes é confundida com a parônima "mais", que indica acréscimo, e que não tem nada que ver com a história). Até aí, tudo bem. O problema é que, na maioria das vezes, o uso recorrente do mas pode ser um forte indício da infelicidade ou do pessimismo, camuflados no coração de muita gente por aí... Isso porque há pessoas que sempre insistem em colocar o que há de ruim, de negativo, por menor que seja, na frente do que existe ou poderia existir de bom nas situações da vida.

Que tal. sem querer, ouvir alguém descrevendo o almoço que você ofereceu com tanto carinho:

"Ah, o churrasco estava uma delícia, a bebida gelada, o pessoal era muito divertido, mas em compensação o arroz não tinha um pingo de sal!"

Percebe o efeito destrutivo que a ordem dessa argumentação pode causar? Nela é realçado o aspecto negativo que, embora pequeno diante do todo, agiganta-se e acaba desmerecendo o que houve de muito bom na situação dada. Para ser bem sincera, uma fala dessas pode pôr fim à gentileza e à boa vontade de qualquer anfitrião.

Ficaria menos ingrato e pessimista se os argumentos fossem colocados na ordem inversa:

"Ah, o arroz não tinha um pingo de sal, mas em compensação o churrasco estava uma delícia, a bebida gelada e o pessoal era muito divertido!"

É possível afirmar que com o decorrer do tempo um círculo inevitável de palavra-pensamento-ação vai se formando em nossa vida e padrões de comportamento vão se petrificando, embora nem sempre tenhamos consciência disso. As opções que fazemos vão definindo a visão que temos de nós mesmos e dos outros, o que acaba se refletindo na linguagem que usamos. E assim vamos vivendo: "a boca fala do que está cheio o coração" e o coração vai se alimentando dos padrões de pensamento que vamos construindo...

Só sei que as adversidades, pequenas ou grandes, são inerentes à vida, quanto a isso não há escolha. Não é à toa que existem mil maneiras de expressarmos linguisticamente os revezes que enfrentamos - só conjunções existem seis! Contudo, cada pessoa é quem decide que tipo de argumento terá a supremacia em sua mente, em sua fala e na relação com as pessoas.

Fico pensando... o fato de termos que colocar vírgula antes das conjunções adversativas pode muito bem sugerir-nos uma pausa ante às adversidades que enfrentamos, um rápido momento para decidirmos se as ressaltamos ou se as enfraquecemos em nossa mente e em nossas palavras - este, siim, é um difícil e necessário aprendizado!!




Related Posts with Thumbnails
Related Posts with Thumbnails