Observe que não se trata de alguém, já velho, pedindo respeito à sua idade:
"Respeitem meus cabelos brancos",
mas de um chamamento imperativo à sensibilidade humana:
"Respeitem meus cabelos, brancos".
Nas mãos do conhecimento e da criatividade, um simples sinal de pontuação pode ser incrível!...
Respeitem meus cabelos, brancos
Chico César
Respeitem meus cabelos, brancos
Chegou a hora de falar
Vamos ser francos
Pois quando um preto fala
O branco cala ou deixa a sala
Com veludo nos tamancos
Cabelo veio da áfrica
Junto com meus santos
Benguelas, zulus, gêges
Rebolos, bundos, bantos
Batuques, toques, mandingas
Danças, tranças, cantos
Respeitem meus cabelos, brancos
Se eu quero pixaim, deixa
Se eu quero enrolar, deixa
Se eu quero colorir, deixa
Se eu quero assanhar, deixa
Deixa, deixa a madeixa balançar
Quando digo “respeitem meus cabelos, brancos”
não falo só de mim nem quero dizer só isso. Debaixo dos cabelos, o homem como metáfora. A raça. A geração. A pessoa e suas ideias. A luta para manter-se de pé e mantê-las, as idéias, flecheiras. É como se alguém dissesse “respeitem minha particularidade". É o que eu digo, como artista brasileiro nordestino descendente de negros e índios. E brancos. Ou ainda no plural: minhas particularidades mutantes. Fala-se em tolerância. Pois não é disso que se trata. Trata-se de respeito. (Chico César)

Já faz mais de dez dias que o pequeno Daniel está na UTI, respirando por meio de aparelhos... isso está doendo. Está doendo saber do cansaço e da angústia pelos quais um pai e uma (incansável) mãe estão passando. A vida é o que há de mais frágil... e viver esse momento não está sendo fácil.
1/1/11,
1/11/11,
11/1/11,
11/11/11
E tem mais! Faça o teste: pegue os dois últimos dígitos do ano em que você nasceu mais a idade que vai ter este ano. Será igual a 111 para todos! Isso é no mínimo muito curioso.

Vendo esse quadro, além de dar uma boa risada, fiquei pensando na questão do "adequar-se ao sistema". No caso acima, a melhor saída foi deixar as regras de lado e usar de bom senso - mas, claro, a decisão partindo de quem manda...
Fiquei pensando, por outro lado, em outra situação um tanto quanto intrigante: quando o próprio sistema permite (ou mesmo incentiva) que você deixe o espírito de cooperação de lado, o bom senso e a qualidade de seu trabalho, para alinhar-se à maioria (será que estou exagerando?). Nesse contexto, quando uma pessoa é muito comprometida com o que faz, empenha-se e procura dar o melhor de si, começa a ser vista de forma negativa e a incomodar os que estão na confortável posição do descomprometimento...
O que resulta disso, normalmente, é um desconforto de ambas as partes e a desmotivação de quem gostaria que as coisas fossem diferentes...