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Maria E.

Com frequência, noticiários mostram que existem vagas no mercado de trabalho, mas que falta gente qualificada. Isso, em decorrência de uma educação deficitária, desde as séries iniciais até (pasmem!) alguns cursos de graduação.

Recém chegada de uma boa experiência na rede particular de ensino e conhecendo mais de perto a realidade da escola pública atual, só posso dizer que fico emocionada quando vejo alguns alunos do ensino público fazendo planos, estudando por iniciativa própria, se esforçando, pedindo ajuda para entender esse ou aquele conteúdo.

Ao contrário do que alguns possam estar pensando, essa emoção toda não é porque eu os considere "coitados", e muito menos vítimas sociais. Em relação a questões materiais, por exemplo, nosso aluno do município de SP tem tudo o que precisa, gratuitamente, desde o caderno e o lápis até a alimentação diária (almoço mesmo, com pratos fartos, variados e substanciosos). Os livros didáticos que usam são os mesmos de renomadas escolas da rede privada - e que os pais "de lá" pagam bem caro por eles.

A questão, portanto, não é material, não tem essa de "eles podem e eu não". Seria no mínimo injusto afirmar que essa tal educação deficitária é decorrente (apenas) da falta de condições financeiras. Não é preciso ser grande observador para constatar que a questão é muito mais séria e complexa.

Na verdade, já faz algum tempo que vem ocorrendo uma inversão de valores e de perfis em nossas salas de aula: antes, os desinteressados, baderneiros, "maus alunos" eram a minoria; hoje, não estudar, não levar a sério, não respeitar, ser bad boy é que se tornou comum, e os que estudam são exatamente uma pequena parcela da classe.

A meu ver, a grave situação da escola pública nada mais é do que o reflexo de um problema social bem mais profundo e grave: a falta de família - família (lembra?), aquelas pessoas que muitos de nós tivemos durante a vida, que nos acompanharam, nos transmitiram valores, nos apoiaram, mas que também souberam nos ensinar respeito, limites e cidadania... Com a falta de família e sob um sistema de (des)educação que ensina a passar para a série seguinte sem mérito, não é de se admirar que os níveis de conhecimento se revelem escandalosamente baixos sociedade afora...


Assim, quando vejo algum aluno dessa incrível minoria estudando, fico emocionada, e por duas razões: primeiro, por saber que, mesmo submersos nesse sistema absurdo de "aprovação continuada", ainda buscam conhecimento; e segundo, por perceber que alguns deles ainda têm mães, pais, avós, ou alguém que os eduque em casa e que dê a orientação e o apoio de que precisam para crescer intelectualmente e como seres humanos - para quem não sabe, isso é raridade hoje em dia, especialmente nas classes mais baixas.

Quando vejo alguns dos meus alunos se preparando para uma ETEC da vida, ou para abrir um horizonte mais significativo para si, cresce a esperança de vê-los se tornando ótimos e competentes profissionais. A vontade que me dá é de sair falando num alto-falante que ainda existem estudantes na escola pública! - não é isso que o jornalismo faz com fatos nada comuns??









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Maria E.
Maria E.

EUA abandonam ensino da letra de mão

Defensores da medida, que provoca polêmica, argumentam que as crianças não necessitam mais escrever com caneta no papel

Gustavo Chacra (correspondente de Nova York) - O Estado de S.Paulo


O ensino da letra cursiva (de mão) será opcional em Indiana e deverá ser banido definitivamente nos próximos anos. A decisão deve ser seguida por mais de 40 Estados americanos que também consideram esta forma de escrever como ultrapassada. Na avaliação deles, é mais importante se concentrar no aprendizado das letras bastão (de forma).


O argumento dos defensores desta lei, que provocou polêmica nos Estados Unidos nas últimas semanas, é de que hoje as crianças praticamente não necessitam mais escrever as letras com caneta ou lápis no papel.


Seria mais importante elas aprenderem a digitar mais rapidamente, já que quase toda a comunicação acontece por meio de letras de forma nos celulares e computadores. "As escolas devem decidir se pretendem ensinar letra cursiva, mas recomendamos que deixem de ensinar e se foquem em áreas mais importantes. Também seria desnecessário encomendar apostilas que ensinem letra cursiva", diz um memorando do Departamento de Educação de Indiana. (...)


Os opositores, além de levar em conta a tradição, dizem que a letra representa em parte a personalidade das pessoas, especialmente nas assinaturas, e também permite que sejam lidos documentos históricos, como a declaração de independência dos Estados Unidos.


Um encontro da Master Penmen, a associação internacional dos instrutores de letra de mão, deve se encerrar hoje no Arizona com um repúdio à decisão em Indiana. Eles contam também com um apoio indireto do presidente Barack Obama, que tem o costume de escrever cartas de próprio punho para algumas pessoas, inclusive para eleitores.


Trajetória. Até poucas décadas, o ensino da letra cursiva nos países ocidentais era inquestionável, e crianças passavam horas aperfeiçoando a letra em cadernos de caligrafia. O importante, além de tornar os traços legíveis, era ser capaz de escrever de uma forma considerada bonita. Foi com a pedagogia moderna que a exigência da letra cursiva começou a ser questionada. Com o tempo, cadernos de caligrafia caíram em desuso.


(Fonte: http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20110718/not_imp746256,0.php)


Maria E.
Férias escolares chegam ao fim nesta segunda-feira.

Cresce o número de pais e mães interessados em que as escolas funcionem em tempo integral para que os filhos permaneçam o maior tempo possível... fora de casa.
Por que será?...





Maria E.

Universidade Federal do Rio de Janeiro substitui vestibular pelo Sisu


A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) não terá mais vestibular para ingresso na instituição. Os alunos serão selecionados a partir de agora com base nas notas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Por um placar folgado, a medida foi aprovada nesta quinta-feira (30) pelo Conselho Universitário (Consuni). Os representantes dos estudantes foram contra.

A medida foi tomada numa tentativa de facilitar o acesso à universidade e acabar com o vestibular. Por isso, o conselho também estabeleceu que subirá de 20% para 30% o percentual de vagas em cada curso destinado a estudantes com renda per capita de um salário mínimo e que tenham feito o ensino médio em escolas públicas. O critério de cotas raciais foi, mais uma vez, reprovado.


"Adotando o Sisu [Sistema de Seleção Unificada], as universidades públicas podem funcionar em sistema, inclusive participando da elaboração e da aplicação do Enem", disse o reitor da UFRJ, Aloísio Teixeira, autor da proposta. Com a mudança, ele acredita que será mais fácil negociar em bloco com o governo federal.














Para Marcelo Paixão, representante do Centro de Ciências Jurídicas e Econômicas no Consuni, o aumento do percentual foi um ganho. Segundo ele, as cotas com critério de renda são a única forma de assegurar a entrada de estudantes menos favorecidos na universidade. "É evidente que o sistema [de ingresso] é elitista, seja pelo vestibular tradicional, ou pelo Sisu."


O Diretório Central do Estudantes (DCE) Mário Prata foi contra a adesão ao Sisu e explicou que, no novo sistema, continuarão predominando estudantes de escolas particulares. "O fim do vestibular não significa o fim das desigualdades", disse Júlio Anselmo, representante do DCE. Para ele, o Sisu continua favorecendo alunos que conseguiram pagar por um ensino melhor ou um curso preparatório para alcançar uma boa nota no sistema.


Dados recentes da UFRJ mostram que, mesmo com a ação afirmativa, no primeiro semestre deste ano, 61,34% dos 4,8 mil estudantes aprovados eram oriundos de escolas particulares. Em seguida, estavam os que cursaram o ensino médio na rede federal (20,7%).


De acordo com o Ministério da Educação, 83 universidades públicas aderiram ao Sisu como processo de seleção para o primeiro semestre deste ano. Para 2012, 48 instituições confirmaram a participação.


Fonte: Agência Brasil (Publicado em 30.06.2011, às 17h34)

http://ne10.uol.com.br/canal/educacao/noticia/2011/06/30/universidade-federal-do-rio-de-janeiro-substitui-vestibular-pelo-sisu-280468.php



Uma notícia dessas merece atenção. Se por um lado ecoa como oportunidade e esperança pra muita gente, por outro, é preciso ficar atento ao impacto que tal decisão pode causar... Possibilidade de um novo público não tão preparado quanto o advindo do vestibular? É possível. E muito. Caso isso ocorra, já se prevê um plano de recuperação/adaptação desse novo estudante ao nível de exigência acadêmica?


Não que eu seja a favor do vestibular com a configuração injusta - e até cruel - com que se apresenta atualmente, mas o que se espera, diferentemente de muitas instituições particulares por aí, é o casamento da oportunidade com as devidas condições de trabalho, tanto para o aluno quanto para o professor - não são poucos os casos de estudantes de cetenas de cursos de graduação com dificuldade para compreender textos básicos de suas áreas, e produzir, então, nem se fala...


Resta-nos observar como será conduzido esse (importante) processo de mudança.



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