Há algum tempo, um médico e terapeuta dizia em uma de suas palestras que dentre os itens imprescindíveis à felicidade deveria ser incluída a pergunta: "Qual será a próxima festa?".
Essa provocação ficou ali, num daqueles cantinhos da minha mente, e de vez em quando pisca chamando a atenção de novo. E sabe de uma coisa? A cada dia que passa concordo mais com ele. Os dias vão se atropelando, as responsabilidades aumentando e consumindo nosso tempo, e quando a gente vê... a semana, o mês e até o ano foi embora sem momentos realmente marcantes, sem aquelas "perdas" de tempo tão necessárias, que valem mais do que qualquer outra coisa.
Pegando um gancho nessa tal pergunta de que falava o Doutor, penso que a agenda da nossa vida deveria ser guiada pelos fins de semana, e não pelos dias comuns. Isso mesmo. Datas. Compromissos. Compromisso com a alegria, com o encontro com a leveza, com o diferente, com o que nos faz bem; encontro com o calor e a energia daqueles lugares e pessoas que dão sabor à vida.
Da correria da semana, das urgências e pendências, disso já sabemos, e nos esforçamos para realizar o que é necessário da melhor forma possível. Mas os finais de semana, ah, os fins de semana!... Isso é assunto sério. (Já para a agenda!)
A
Paixão de Bastián
As paixões
humanas são um mistério, e com as crianças acontece a mesma coisa que com os
adultos. Aqueles que se deixam levar por elas não podem explicá-las, e os que
não as viveram não podem compreendê-las. Alguns homens arriscam a vida para
escalar uma montanha. Ninguém, nem mesmo eles, pode explicar porque o fazem. Outros
se desgraçam para conquistar o coração de uma pessoa que não quer nada com
eles. Outros se destroem por não saber resistir aos prazeres da mesa... ou da
bebida. Alguns perdem tudo o que têm em um jogo de azar ou sacrificam tudo a
uma ideia fixa que jamais poderá se realizar. Alguns acreditam que só poderão
ser felizes em um lugar diferente e percorrem o mundo inteiro. E ainda outros
não descansam até se tornarem poderosos. Em resumo: existem tantas paixões
quanto seres humanos.
A
paixão de Bastián Baltasar Bux eram os livros.
Quem
não tiver passado nunca tardes inteiras diante de um livro, com as orelhas
ardendo e o cabelo caído no rosto, lendo e lendo, esquecido do mundo e sem
perceber que estava com fome ou com frio...
Quem
nunca tiver lido à luz de uma lanterna, embaixo das cobertas, porque papai,
mamãe ou alguma outra pessoa solícita apagou a luz com o argumento bem
intencionado de que tem de dormir, porque amanhã precisa levantar bem cedinho...
Quem
nunca tiver chorado aberta ou dissimuladamente lágrimas amargas porque uma
história maravilhosa acabou e era preciso se despedir dos personagens com os
quais tinha corrido tantas aventuras, que amava e admirava, pelo destino dos
quais temera e rezara e sem cuja companhia a vida pareceria vazia e sem
sentido...
Quem
não conhecer tudo isso por experiência própria, provavelmente não poderá
compreender o que Bastían fez então.
(ENDE, M. La historia interminable. Madrid:
Alfaguara, 1982. In: SOLÉ, Isabel. Estratégias
de leitura. 6ª ed. Porto Alegre: Penso, 2012, p. 12.)
O que é a vida?
Se alguém me fizesse essa pergunta hoje, eu responderia com toda a convicção que a própria vida tem me mostrado: "O que é a vida? Depende!" Depende de tanta coisa!...
Ainda ontem, quando adolescente, eu diria que a vida é um quê de encantamento impossível de se explicar, mas desesperadamente desejável de se sentir.
Às vezes é sopro. Outras vezes, infinito. Desalento. Esperança. Abismo.
Depende!
Depende de que idade se tem, de que sentimentos carrega na alma, de
que recursos dispõe. Se tem saúde, se está doente do corpo ou da alma... E o mais importante, com que predisposição química você nasceu pra viver. É, porque alguns (bem-aventurados!!) já nascem com uma inclinação naturalmente forte para a vida, e tudo pode estar desmoronando a seu lado, que a pessoa continua com uma vibração invejável. Outros, no entanto (e isso é bem triste!), muitas vezes têm tudo e tanto, mas não conseguem sentir alegria em quase nada.
Hoje, e espero que por todo o ano que se inicia já, já, a vida pra mim se resume numa palavra: gratidão.
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O poder da vírgula
"Ave César"
(Ave Caesar, morituri te salutant: Salve, César, os que vão morrer por ti
te saúdam. Palavras dirigidas pelos gladiadores ao imperador, antes de entrarem em luta).
"Ave, César, que mau humor!" (Dia a dia...)
João Marcos e Lívia ganharam em primeiro lugar.
João, Marcos e Lívia ganharam em primeiro lugar.
(Ih... vão ter que dividir o prêmio com mais alguém!)
Marcelo vem almoçar com a gente hoje. (Afirmação)
Marcelo, vem almoçar com a gente hoje. (Convite)
Essa professora é minha irmã. (Apresentando a irmã, que é professora)
Essa, professora, é minha irmã. (Apresentando a irmã à professora)
Seja em que situação for, é preciso ter esperança.
Linda letra, linda música! "Amanhã", muito oportuna para o meu hoje...
Amanhã
Guilherme Arantes
Amanhã!
Será um lindo dia
Da mais perfeita alegria
Que se possa imaginar
Amanhã!
Redobrada a força
Prá cima que não cessa
Há de vingar
Amanhã!
Mais nenhum mistério
Acima do ilusório
O astro rei vai brilhar
Amanhã!
A luminosidade
Alheia a qualquer vontade
Há de imperar!
Há de imperar!
Amanhã!
Está toda a esperança
Por menor que pareça
Existe e é prá vicejar
Amanhã!
Apesar de hoje
Será a estrada que surge
Prá se trilhar
Amnhã!
Mesmo que uns não queiram
Será de outros que esperam
Ver o dia raiar
Amanhã!
Ódios aplacados
Temores abrandados
Será pleno!
Será pleno!
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