Edleuza

Presente


Faz alguns anos, aprendi o significado dessa palavra. Não me refiro à etimologia ou a qualquer aspecto relacionado à linguagem, mas a um de seus sentidos na vida. Uma daquelas experiências curtinhas, mas que ficam ali, tatuadas na alma.

Aconteceu com um menino. Queria dar a seu pai algo que lhe era muito precioso, que ultrapassava valor material e que faria tocar notas alegres num coração avançado em idade. 

Não poupou esforços. No sufoco do dia na metrópole, correu atrás dos últimos detalhes: trocou as cordas, colocou na bela capa, envolveu-o com laços e afeto e entregou ao pai - o presente e parte de seu coração. Para ver, na semana seguinte, jogado de lado, sem música, sem capa, sem importância. 

É isso. Dói. Dói quando alimentamos sentimentos e nutrimos expectativas em relação às pessoas, especialmente às que amamos, e não somos correspondidos. Mas isso eu já sabia. 

O aprendizado mesmo veio com a consciência de que, quando damos um presente, a quem quer que seja, com o mais puro e belo sentimento que possamos ter, nossa experiência acaba exatamente ali, no momento em que o entregamos à outra pessoa. Toda a alegria de dar pertence a nós, e somente a nós. E ponto. Se o carinho e a felicidade que sentimos coincidir com os de quem recebeu, que maravilha!! Se não, tudo bem. O que o outro sentirá ou fará com o que ganhou, pertence a ele. Ninguém é obrigado a carregar o peso das nossas mais sinceras expectativas... E nós, quanto menos as tivermos, maior a chance de nos sentirmos mais leves nos relacionamentos. 




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