Edleuza
Slide 75

Quer ver duas palavrinhas campeãs das confusões gráficas e fonéticas em muitos textos por aí?


Pluvial e fluvial.


Existe gente que já foi pro túmulo sem saber a (sutil) diferença de significado entre elas. Mas, veja só, o genial poeta Augusto de Campos, um dos criadores da denominada poesia concreta, encontrou uma maneira muito inteligente de explicar o significado desses dois vocábulos:


- pluvial, significa água de chuva, descendo de cima para baixo, na vertical;


- fluvial, por sua vez, corre na horizontal, fluindo, fluindo... como se fossem as águas de um rio...



Poesia pós-tudo. pluvial / fluvial. Augusto de Campos. In: Viva Vaia. São Paulo: Livraria Duas Cidades, 1979.


Só sei que seja de chuva (pluvial) ou de rio (fluvial), estamos precisando urgentemente de água por aqui!!!


A umidade do ar está baixíssima, nossa cidade está muito seca esses dias... e a previsão é de que a "sequidão" continuará durante a semana toda. Valha-me, Deus!



Edleuza



"Ter tempo é uma grande posse.

Saber aproveitá-lo é tê-lo duas vezes.”

(Edleuza Teles)


Existem imposições naturais na vida... O tempo é uma delas. Mal começamos a respirar e a contagem regressiva começa... Se o cronômetro da vida se faz imperativo, por outro lado, o uso que fazemos do tempo que nos é dado, esse saber aproveitá-lo, é altamente subjetivo, mutável e nada tem a ver com o senso comum.


Houve um tempo em que eu achava que saber aproveitar traduzia-se em estar sempre em ação, usando cada minuto para construir algo de positivo para mim e para os outros. O próprio tempo, no entanto, encarregou-se de mostrar que até o que é bom pode se transformar em puro desgaste e tensão, quando se vive dessa maneira. Não vale a pena.


Hoje, após alguns quilômetros de estrada, o saber aproveitar o tempo para mim significa justamente não ter que levá-lo em conta, é sinônimo de se livrar do relógio e “deixar rolar”. Se já são três ou quatro da madrugada, e daí?... Quer coisa mais gostosa não precisar dar conta do tempo?...




Edleuza
Quem dá aulas (e somente quem dá aulas) sabe que esse é o lugar do inesperado, misto de alegria e descontentamento, de sobressaltos e surpresas. Um ano nunca é semelhante ao outro, uma turma jamais é igual à outra e uma mesma sala varia de aula para aula, muitas vezes, com o mesmo professor. É por essas e outras que lecionar, especialmente para adolescentes, é um dos trabalhos mais desgastantes que existem.

Esta semana, mais uma vez, vivenciei essa realidade com meus alunos.

Por um lado, experimentei o gostinho amargo da falta de empenho para fazer as atividades propostas: muita divagação, muita conversa, mesmo numa sala em que temos um relacionamento amistoso e os alunos são afetuosos. O agravante é o que essa falta de concentração pode acarretar para o (não)desenvolvimento deles, no que diz respeito à expressão escrita - sabe aquelas "pérolas" que circulam pela internet, com deslizes ortográficos de arrepiar e falta de coerência? Pois então... é disso que estou falando. E já que trabalhamos de maneira bastante séria com leitura e produção escrita, fazendo apontamentos e levando os alunos a refletirem sobre adequação e correção, a concentração na hora dos comentários e no momento da revisão é fundamental.

Após muita conversa, chamar a atenção em particular, mudar alguns de lugar... não houve jeito: semelhante a filhos, que chega um momento em que os pais têm que cortar privilégios, adeus Show de Talentos - para esta sala, haverá aula normal.

Por outro lado, nesta mesma semana e nesta mesma turma, pude sentir o imenso prazer de vê-los produzindo textos muito criativos, dentro de uma proposta dada. Isso, é claro, após um longo trabalho de leitura e motivação. Escreveram crônicas ótimas, umas reflexivas e outras humorísticas. E eles (isso é o melhor de tudo!) sabiam o que estavam fazendo, desde o gênero, crônica, até que estratégia estavam usando - neste caso, semelhante ao escritor Ivan Ângelo, falaram de coisas do dia a dia como se estivessem dando uma receita.

Para quem, por natureza, é apaixonada por produção de textos, já viu... foi delicioso ver o orgulho nos olhos deles ao ler os textos que eles mesmos produziram, a originalidade e criatividade em suas palavras. Com certeza, as crônicas irão para o mural da escola, digitadas, bonitas, com o nome de cada autor.

Escola é assim mesmo... cheia de sustos e alegrias. E a gente vai caminhando...






Edleuza

"Ao meu pai, Antônio, pela possibilidade do êxodo e da sobrevivência."

No próximo domingo será comemorado o Dia dos Pais. Atualmente, esta é uma das datas em que telefono pra ele para conversar um pouco e expressar-lhe carinho e gratidão.

Devido à distância, não temos tido contato há um bom tempo... Na verdade, se eu dissesse que durante toda a vida tivemos sempre um relacionamento próximo, aberto, estaria mentindo. Entretanto, várias características muito fortes e positivas de sua personalidade ficaram bastante marcadas em minha memória, e por essas e outras é que o admiro.

Homem forte, corajoso, muito responsável com seus compromissos, protetor, organizado e caprichoso no que fazia. Para o bem-estar da família, era capaz de virar a noite assentando piso ou construindo um guarda-roupa, com as próprias mãos, peça por peça... De tudo, é isso que fica, o que uma pessoa doa aos que ama.

Parabéns, pai, pelo seu dia.




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